ORIENTAL, UM TERMO EM DEBATE!


O mundo das fragrâncias está começando a prestar atenção em suas palavras. Durante anos, a indústria classificou os perfumes em grupos olfativos, normalmente utilizados pelas marcas e pelo varejo, grupos como floral, cítrico e amadeirado por exemplo. Oriental é um destes grupos e para mim, abrange “geograficamente” todo um grupo de ingredientes que não são encontrados em outros locais do mundo como resinas, balsamos, especiarias, enfim.


No entanto, no mundo “politicamente correto” tem havido muita discussão, particularmente nos Estados Unidos e no Reino Unido, sobre o termo oriental estar desatualizado e, em alguns contextos, ofensivo. Barack Obama promulgou legislação proibindo a palavra em documentos do governo como uma descrição para pessoas de herança asiática. No mundo da fragrância, há um sentimento crescente de que a palavra está desatualizada e depreciativa.

Embora muitos possam se lembrar da sensualidade oriental evocada por fragrâncias como Opium e Shalimar, os mais jovens geralmente não sentem essa conexão com a descrição oriental. Os críticos apontam que a palavra é uma lembrança do colonialismo, de uma época em que os países anglo-saxões se viam como o centro do mundo e tudo que do leste era exótico.


E se você está se perguntando "O que é uma fragrância oriental?" esse é apenas um dos vários problemas do termo. Para alguns a palavra não é apenas ofensiva, simplesmente não significa nada em 2021. Aqui eu reforço a minha posição em desacordo com isso, pelo menos em relação à origem de determinados ingredientes e confesso que ainda não consigo concordar com um termo melhor para descrever este grupo. Algumas sugestões como ponto de partida são: Especiado, resinoso, balsâmico ou mesmo ambarado, termo este que deverá ser adotado pelo expert Michael Edwards. Nenhum destes termos reflete para mim a riqueza da família oriental.


A questão é que existem discussões por um termo mais global, numa linguagem mais clara e didática. Isso deixa a comunidade da beleza em uma posição incômoda, pois busca um substituto claro (e rápido). E talvez seja realmente a hora de pensar em um algo mais abrangente. Num mundo “politicamente correto” todos têm também a liberdade de determinar seu próprio idioma e com isso, sentimos cheiro de mudanças no ar. Só sei que por enquanto não pretendo mudar minha classificação olfativa, já utilizada por anos em minhas publicações e cursos. Estou aceitando sugestões e acho que esse debate ainda vai longe.


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